4 de julho de 2012. O dia da redenção do bando de loucos, que não precisam mais se calar diante dos títulos internacionais dos rivais paulistas.
A tão sonhada conquista da Taça Libertadores compensa todos os doídos reveses anteriores, especialmente a traumática eliminação para o Tolima em 2011: campanha invicta, eliminando Vasco e Santos, dois rivais brasileiros fortíssimos, e a cereja do bolo: vitória com autoridade sobre o “papão” Boca Juniors de Riquelme na grande decisão.
O triunfo final que valeu a taça teve a marca do time de Tite: organização e concentração, mesmo com o nítido e natural nervosismo nos primeiros minutos.
Também a capacidade de adaptação seguindo a aguçada visão tática e estratégica do treinador. Percebendo o time xeneize forçando com Ledesma, Riquelme e Mouche no setor de Fabio Santos, que não tinha o auxílio de Emerson, Tite inverteu o Sheik com Danilo no 4-2-3-1. O Corinthians acertou a marcação, deixou o camisa 11 mais perto da meta adversária…e começou a ganhar o jogo.
O 4-2-3-1 inicial do Corinthians marcava mal pela esquerda com Fabio Santos sem o auxílio de Emerson e dava espaços para Ledesma, Riquelme e Mouche.
No primeiro tempo ainda faltava a presença de área. Mesmo avançado, Emerson abria para receber as bolas esticadas, mas seus companheiros não aproveitavam os espaços pelo meio. Apenas Alex em chutes de fora da área sem maior perigo. Em duas bolas invertidas, Jorge Henrique chegou atrasado entrando em diagonal e salvou o goleiro Sebastian Sosa, ex-Peñarol que entrou na vaga do lesionado Orión e andou vacilando.
Tite exaltou o progresso após a mudança sem alterações na volta do intervalo e o time respondeu com intensidade e o gol do desafogo no passe de calcanhar de Danilo que Sócrates assinaria para Emerson. Fundamental para transformar tensão em confiança, mudar a atmosfera no Pacaembu e desmontar a estratégia do time que prefere o contragolpe.
O Boca sentiu mais a falta de espaços do que a desvantagem. Avançou as linhas sem muita convicção e só fez Cássio trabalhar em cabeçada de Mouche completando cobrança de falta de Riquelme. Falcioni desfez o 4-3-1-2 com Cvitanich na vaga de Ledesma, mas a mudança só expôs ainda mais a defesa.
E Schiavi falhou. O lento zagueiro veterano errou passe simples e facilitou a arrancada de Emerson até o toque na saída do goleiro. O paradoxo: o Sheik polêmico e um tanto individualista consagrou o futebol coletivo de um time sólido, forte e consistente. O mais moderno do país que entra para a história.
Com a desvantagem, Falcioni desmontou o 4-3-1-2, mas o Boca pouco produziu e deixou espaços para Emerson Sheik, mas perto da meta adversária, fazer a diferença e consagrar a mudança de Tite no primeiro tempo.
Futebol é técnica e tática, mas também feeling, subjetividade. O gol de Romarinho e o perdido por Cvitanich na Bombonera não podiam ser por acaso.
4 de julho. O dia do grito outrora engasgado. O dia da Independência americana, mas também do time mais popular de São Paulo, campeão da América.
05/07/12
por André Rocha
Blog Olho tatico


Nenhum comentário:
Postar um comentário